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O Crush

Ele saía da escola e corria como se sua vida dependesse daquilo. Cabelos desgrenhados, suado pelo sol de quase meio-dia, e o fardamento já todo amassado. Mas ele corria. E corria. E a cada passo largo dado era como se suas têmporas fossem explodir. Sonhava diariamente com o toque de saída barulhento que ecoava nos corredores da escola. Não podia perder nem um minuto.
Ele se punha desajeitado entre uma rua e outra e aguardava a saída dela. E todos os dias ele a esperava. Nunca trocara nenhum olhar com ela. Era proibido pela sua consciência adolescente. Mas a sede de vê-la passar ao meio-dia era maior que o peso de lhe dirigir algumas palavras.
E assim foi-se todo o primeiro trimestre do ano. Ele assistia às aulas, corria desvairado quando a mesma terminava e a esperava. Era bonito ver o alinhado de suas vestes, tão bem passadas. Cores tão sóbrias, e ele imaginava em seus devaneios como seriam seus cabelos. Ele nunca os viu. Tinha imagens secretas de que cor seriam. Quando chegava em casa punha-se a sonhar com o balanço que ela fazia ao penteá-los.
E como seria ela por debaixo da roupa tão recatada. E na sua inocência se sentia envergonhado por tais pensamentos. Ela era mais velha que ele, e nunca lhe dirigira um olhar sequer. Ela nem sabia de seu sentimento, nem deveria. Mas seu coração batia enervado cada vez que ela passava, no mesmo horário, pontualmente.
Durante os cinco dias da semana ele atrevia-se a desejar secretamente a mulher que não poderia ser dele, e no domingo ia à casa santa confessar seu imaginário amor pela freirinha.

Adriana Holanda Tavares

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