#PHPoemaweek - Talo


A virgem



Quero tudo, o que houver, o limite e o limiar

da cachaça seca e quente, que aquiesce meu âmago.
E das bocas impuras quero o talo, o espasmo, a propulsão.
A saliva que alivia a garganta em sucção.
Proponho uma troca, ninguém ganha, tampouco perde.
Prós e contras entre danças, de alvos negros e sutis.
Quero um gole dessa trégua, dessa míngua salutar.
Quem do doce prova o amargo sempre busca o mesmo gosto,
e sedento lambe os dedos, nós desata, e deságua sem parar.
Se você topa tal proposta sai impune das más línguas, mas imundo de saudade.
Volta um dia à casa torta, sem porta e sem cadeados, sem trancas e portão, deixa aberto o caminho, e embriagado e turvo, vem desejar um vão.
Abre as castas já maduras e como castanha madura engole cada sortudo com casca, talo e tudo.


Adriana H. Tavares

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