#PHPoemaweek - Talo


A virgem



Quero tudo, o que houver, o limite e o limiar

da cachaça seca e quente, que aquiesce meu âmago.
E das bocas impuras quero o talo, o espasmo, a propulsão.
A saliva que alivia a garganta em sucção.
Proponho uma troca, ninguém ganha, tampouco perde.
Prós e contras entre danças, de alvos negros e sutis.
Quero um gole dessa trégua, dessa míngua salutar.
Quem do doce prova o amargo sempre busca o mesmo gosto,
e sedento lambe os dedos, nós desata, e deságua sem parar.
Se você topa tal proposta sai impune das más línguas, mas imundo de saudade.
Volta um dia à casa torta, sem porta e sem cadeados, sem trancas e portão, deixa aberto o caminho, e embriagado e turvo, vem desejar um vão.
Abre as castas já maduras e como castanha madura engole cada sortudo com casca, talo e tudo.


Adriana H. Tavares

Cala-te...
Calo...
E em cada calo pisado, ferido, machucado, uma carne sangra em alma. Calem-se os calejados dedos e lábios. Sejam silêncio até que a noite volte.
E no calor de teus vazios, as horas possam abrasar-nos.
Cálice...
Um amargo sabor derramado, uma calamidade avisada aos quatro cantos. 
Em cada pétala norteada da rosa dos ventos, uma bolha em viva pele.
Sem menos, sem mais, apenas calem as cálidas manhãs.
E um dia, no despertar das bocas e bandeiras levantadas, encontremos o remédio para dores tão profundas.
E nunca mais calos, calor e silêncio.
Tudo será brado!


Adriana H. Tavares