#PHPoemaday - O Pianista

N-ésima sinfonia.

Eram dedos ávidos,
Longos, ossudos,
Digitais quase imperceptíveis,
Pele macia e quase aveludada.
Eram mãos hábeis,
palma curvilínea e sempre a postos.
E trabalhava cada nota cuidadosamente.
Dançava ora lento ora frenético.
Era uma melodia que mudava constantemente.
Um dia grave e ritmada,
Noutro aguda e pausada.
Aprendera a dedilhar no instinto,
Autodidata, autossuficiente.
Cada tecla ressoava o que ele sentia.
Dó-lorosamente vivo,
Ré-conectado,
Mi-nusciosamente louco,
Fá-naticamente envolvido
Sol-idário no êxtase
Lá-scivo,
Si-metricamente refeito.
O piano era a sua escola,
A partitura seu professor
E a música eram os gemidos inauditos
secos, porosos, abafados,
que harmonizavam quando ele as tocava.

Adriana H. Tavares

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