#PHPoemaday - Um Tema Passado

Antes, durante, de-ops!

Não, não me chamo Alice, mas acredito de que alguma forma que não compreendo ainda, eu tenha caído numa toca. Não sei se era um coelho que eu perseguia, acho se não me falha a memória, busquei o Eu majestático
E o que encontrei foi um auto retrato borrado, sujo e maltrapilho. Ah, peço desculpas a quem porventura e desavisado acabar por se deparar com esse meu desabafo em linhas mal escritas. Mas hoje, o céu está estranho, eu estou estranha, e nas minhas entranhas um oco me invade e perturba o amanhã. 
O céu de hoje avermelhou-se em lágrimas piedosas. As margaridas do jardim alheio me xingam de patética, e como a lagarta velha e aborrecida do Lewis me pergunta quem eu sou. Aqui estou longe de qualquer espelho, estou invadindo espaços e fragmentos de um ser que já fui outrora. Desde que acordei hoje - ou seria ontem?
Olhei pela sua janela e me percebi intacta. Como se nada que aprendi estivesse aqui comigo. Caminho por entre sonhos enredados de ladrilhos amarelos, como um personagem literário, e sei que uma hora ou outra irei voltar dessa insossa realidade. 
Sou uma Alicidriana sem graça, sem chá, sem chapeleiro, mas com cartas na manga para assaltar a qualquer momento seus sonhos despedaçados. Tenha cuidado! Eu bem que avisei! Posso devassar sua paixão mais sincera e pura e arrancar segredos inconfessáveis.
Corri feito uma tola; nada, nenhuma seta a me apontar os caminhos, apenas os erros cometidos. Você ainda está aí? Espero que não me deixes só, preciso da melancolia azul que a tua santidade me imprime. 
Falei Santidade? Desculpe, as palavras perdem-se fáceis nesse país da mar-ervilhas em que me escondi. 
Deve ser o efeito da infância que me chama na velhice dos bons conselhos. 
Queria ter dito sanidade. Santa idade, não sei! 
Se pudesse te buscaria agora, mergulharia sedenta nesse sertão de tua língua. E desvelaria segredos, músicas e medos. Remexo as bolsos em busca do molho de chaves que me levará de volta. 
Mas algo dentro de minha cabeça me avisa que não devo voltar. Minha arteira artéria ar teria, mas nada tem. Só silêncio, só silencio, e quando o barulho interno me denuncia. 
Eis que surge a rainha vermelha: sábia, será que ela sabia que o sabiá sabia assobiar? Cortem a cabeça! Vinho me sobe a garganta, e ácido me embriaga. 
Quero você agora. A droga já não me faz nenhum efeito. Apenas fumaça, fogo e um turbilhão de estilhaços. E quando me lembro, nem sei se é tudo invenção, mas o Eu majestático me avisou: nós nunca será bem quisto. 
Eu existo! Meu corpo agora treme de febre, um terremoto, uma tsunami, um navio sem capitão. E quem dera eu pudesse apenas dormir. Acordar, a cor dar a corda, um precipício lento, bem arquitetado, um circo. Como um amigo bem escreveu: "estou eu a mercê do tempo, catando folhas secas que caem como se buscassem o suicídio!"
Ah, Roberto, bem que você me leu nessas linhas e me compreendeu. Eu busco ainda mais! Não achando, me perco de mim. E encontro você. Dentro, cada vez mais profundo você se afunda na minha incoerência. 
Em decorrência dos fatos dê-se por vencido! 
Seus pecados vão muito além do que um corpinho escrito ME COMA! Com açúcar com café, com afeto, aquele feto feito às pressas no chão da cozinha. 
É, acho que estou irremediavelmente fadada à loucura. E a beleza disso tudo é saber que a morte anunciada com quinze badaladas de sinos, rezada nos pés do padre, de nada me aquiesce.
Quero Sartre, Dalai Lama, Buda, Montesquieu e todas as pessoas de nome difíceis aqui. Quem sabe, nessa mesa quadrada eu encontre a resposta para a diferença entre um corvo e uma escri... Ah, que seja! Cansei. Tudo isso são temas passados, de um branco e dourado reflexo teu. 
A mim cabe apenas, recitar poemas no dia do Adeus!


Adriana H. Tavares

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