#PHPoemaday - O Oco 

Gosto do toco e do oco

Gosto quando desce e sobe a tua mão na minha cintura, gosto do oco que sinto quando você não está. Gosto dessa cara desarrumada e embotada de soberba, gosto desse ar de quem sabe onde tocar. 
E depois, me fazer sussurrar...
Gosto quando molha tua língua em minha pele. Gosto quando o toco volta a incomodar. Gosto desse gozo assim frenético, gosto quando não quer mais parar.
E depois, me fazer, implorar...
Gosto do vazio que teu sexo causa ao meu, gosto da nervura interrompida pelo atrito. Gosto do abrigo que teu queixo me propõe. Gosto da medida imprecisa, gosto de saber no que vai dar.
E depois, me fazer, suportar...
Gosto quando me subjuga inteira, gosto quando me recusa o olhar, gosto quando puxa meus cabelos, gosto quando esquece quem eu sou. Gosto dessa falta de manejo, gosto desse membro suplantar...
E depois, me fazer gargalhar...
Gosto quando me chama de vadia, gosto da tua mão mais desmedida; suja, sem limite e vulgar. Gosto da pegada que não deixa marcas, gosto de cravar as unhas e rasgar.
E depois, me fazer, gritar...
Gosto dessa mordiscada abrupta e passageira, gosto da beleza provocada pela brisa quente e seca, gosto de ver tudo cicatrizar.
E depois, me fazer, machucar...
Gosto desse ciclo dependente, do ócio criativo onde me permito estar, gosto do mastro com que você me iça, gosto de ser bicho solto a serpentear.
E depois, me fazer, experimentar...
Gosto do cheiro que teu corpo exala, quando me possui na sala de estar, gosto do sabor amargo e fosco, da luz incandescente do teu balançar,
E depois, me fazer ofegar...
Gosto da impureza incestuosa, quando guarda o taco de bilhar, cada caçapa uma textura, bola sete ou nove vamos lá!
E depois, me fazer, esperar...
Gosto quando vem sem aviso prévio, me pega no cio e se sacia, gosto quando me permeia os parênteses, invade lentamente o meu hangar. Gosto quando o oco se preenche, de todo o ser que em você me falta. Como um quebra cabeças, onde você tira; põe e volta a tirar. 
E depois, me fazer, deleitar.
Meu oco sempre espera o seu toco. 
E depois, me fazer, descansar...

Adriana H. Tavares

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