#PHPoemaday - A Tocha

Luz

Fechou os olhos, abriu-se e despiu-se ao mundo. 
Tapou a boca, engoliu seco e quente a saliva.
Encobriu o sexo, e virginou-se de lascívia.
Abafou o ouvido, silenciou de tudo em solidão sôfrega.
Ardia em labaredas as suas vontades, queimava em fogo brando seu mais solitário ser. Era fogo fátuo, as vezes fogo amarelo-avermelhado tendendo ao vinho. Era um facho de luz, ardendo diariamente, querendo queimar e pulverizar tudo o que passasse em sua frente. Era um incêndio "controlado".
Fechou o ouvido, e negou-se a ouvir o mundo.
Abafou o sexo, e gemeu em sons quase inaudíveis.
Encobriu a boca, e mordeu seus medos inquietos.
Tapou os olhos, e tal como uma tocha, queimou sem pressa.
Sem controle, sem definição. Cinzas, brasas e calor. 
Ardia. E sabia que a tocha interior que a mantinha viva precisava a cada dia de um novo corpo para se incinerar.

Adriana H. Tavares

Um Comentário

Deixe um comentário

Azu-leie também