#PHPoemaday - A Prostituta

Identidade!

Sou para alguns; fruta, 
azeda, doce, carnuda, um caroço, um sabor...
Para muitos substituta,
tapa buraco, companhia, afago, sem rosto...
Reboco, rodada, mercadoria sem valor, 
mulher astuta,
Vendaval, tempestade, vício, prazer.
Senhora absoluta,
de toda hora e preço qualquer;
sem vontade, sem freios...
Piranha enxuta.
Novinha, meia idade, ninfeta, cabocla, sem nome, suja; pura...
Sem conduta,
faz tudo; obedece, manda pouco, sem pudor...
rapariga fajuta.
Na solidão de quem ama, sou aquela que transmuta
Ideal, ilusão, dama de par, meia arrastão, batom vermelho e lascívia...
Força bruta.
Sustentando o mundo entre as pernas e o quadril,
Boca larga, língua afiada e resoluta...
e quem me recruta - são tantos-
entram na disputa
de hora marcada,
Sou de muitos e de ninguém, 
de quem paga mais e se lambuza,
do mel que eu sou.
E no findar do turno, me lavo, me asseio,
e anseio que venham de novo me chamar:
Te apressa!
Mundana, vadia, vaca, vendida, biscate, meretriz, puta!
Pros-ti-tu-ta!

Bebo cada nome como se fosse cicuta!

Adriana H. Tavares

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