#PHPoemaday - A apatia 


E o Mundo vem.

O Mundo veio, e tal como sua grandiosidade ele chegou.
E bateu, machucou, violou, espancou, feriu, arranhou, mordeu, agrediu, gargalhou, marcou com ferro e fogo, esmurrou, chafurdou, despedaçou, golpeou, açoitou, fustigou...
E ele assustado, fugiu..
E gritou, e chorou e sofreu...
Nova cidade, nova roupa, novo corte de cabelo bagunçado, e identidade cheirando a papel recém comprado. Tudo novo.
E na novidade o velho Mundo o encontrou...
E sorriu, e triturou, escarnou, e bateu; e como um martelo socou, soçobrou, lesionou, pisou, magoou, deprimiu, melindrou, molestou, mastigou, retalhou, e fincou unhas e garras na carne antes já conhecida. 
Mais uma vez fugira... Na ânsia de sumir, outras mil identidades, nomes e cidades...
E como já esperava o Mundo o perseguiu. E sentiu o cheiro doce dele, e o caçou como presa fresca e frágil.
E o Mundo cheio de prazer o encontrou mais uma vez.
E o despedaçou, puniu, lesionou, prejudicou, ofendeu, atingiu, lacerou, esfolou, contundiu, atormentou, fraturou, triturou, fragmentou, arrebentou...
Dessa vez, cansado de mudar, ele apenas aceitou.
E esperou que o Mundo voltasse cheio de ódio e volúpia. 
Não lutou, não mudou cabelos nem nomes, nem tampouco de cidade. Apenas esperou o Mundo vir.
E o Mundo chegou arfando ira, e esperou que ao bater, machucar, fincar e violentar ele sofresse.
O Mundo procurou o novo medo estampado em seu rosto, e a velha covardia, mas parou diante do que achara...
Nada havia, nada.
Apenas apatia.

Adriana H. Tavares

Deixe um comentário

Azu-leie também