#PHPoemaday - O Pronome

Eu, em mim.

Estudava os pronomes e cada vez menos entendia sobre eles. Tão impessoais quanto seu ego. Tão alhures ao seu humor eram os pronomes. E que nomes! 
Meu, eu, minha, comigo, tudo e todas, cada, qual e quantos. Estudava e ardia em subterfúgios de esquecer os que não lhe faziam referência. Era um nome em tantos outros a decifrar prós e contras da gramática. 
E quando havia de escrever criava lacunas nas frases dos outros. Eram as suas verbalizações que importavam, as suas nominalizações que estavam corretas no português bem escrito. Nunca em seu discurso houve um pronome pessoal que não fosse em primeira pessoa. 
Era ele (no seu eu) que proclamava dizeres e prazeres de possessividade literal. Se pudesse escreveria laudas e laudas a comentar sua importância pronominal. E sentia que dia a dia seu Eu lírico encontrava morada nos textos que escrevia e ninguém lia. Era auto suficiente, era único. 
Não ousava transcrever textos e nem sequer frases que não fossem suas. E era tal qual um pronome; pessoal, possessivo, interrogativo, relativamente demonstrativo e vez por outra indefinido. Mas acima de tudo possessivo. Nunca plural, sempre singular. Singularmente era ele, só.
Um pronome, um pro nome, um.
Até o dia que uma de nome pró-blema entrou de mansinho em sua história; e a cada frase proferida eram pros nomes um dilema: eu sou eu; e ela é ela...
De cada frase esquecida ele tornou-se dela!

Adriana H. Tavares

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